Voluntários promovem escuta psicológica gratuita em praças de Macapá


Por: Joice Batista



A movimentação diferente que ocorreu no primeiro dia deste mês na praça Floriano Peixoto e no Parque do Forte, ambos no centro da capital, promete ser o começo de uma mudança na forma de cuidado com a saúde mental. Durante toda a tarde e começo da noite, 45 voluntários do projeto “Psicologia na Comunidade” atenderam gratuitamente pessoas que necessitavam desabafar, falar de seus problemas e ouvir palavras de conforto.

O projeto é uma iniciativa de estudantes e professores do curso de psicologia da faculdade Estácio de Macapá e além de praças, os atendimentos são levados às escolas públicas e espaços com grande concentração de pessoas.

O objetivo é levar o amparo psicológico profissional a quem precisa, mas que por diversos motivos não tem acesso, como Marinalva Vieira de Souza, de 50 anos, que é diarista e sai pelas ruas aos fins de semana para vender chopp de fruta. Acompanhada de sua irmã, ela caminhava pela praça quando viu na programação, a oportunidade de pela primeira vez na vida conversar com um psicólogo.

“Eu encostei lá com a psicóloga porque eu tinha muita vontade de conversar com uma, mas nunca pude. Tem muitos problemas que as vezes ficam sufocado por dentro e a gente quer desabar com alguém e hoje eu conversei bastante com ela, até demorei, chorei também e agora estou me sentindo muito aliviada”, contou Marinalva.



Outras pessoas não se consultaram por acaso, mas foram até a praça Floriano Peixoto especialmente para serem atendidas pela escuta psicológica, como Ericles Irvin Trindade de Sá, de 22 anos, que ficou sabendo do evento através de um amigo.

“Na hora que eu soube, eu fiquei muito interessado. Eu acho a iniciativa extremamente importante porque as pessoas pensam que o psicólogo só fica dentro da clínica e tendo em vista que as doenças mentais só vem crescendo, saber que eles estão saindo da clínica para um espaço aberto, é de suma importância”, afirmou o jovem que também é estudante de psicologia.

E foi exatamente para desmistificar o trabalho dos psicólogos e tornar o cuidado com a saúde mental mais acessível, que o projeto foi criado há cerca de 2 anos. “A saúde mental é tão necessária quanto a saúde do corpo e o psicólogo é o profissional especializado para saber lidar com essas demandas dos outros. O que nós fazemos aqui é uma psicologia do novo século, voltada para quem precisa. Não é mais algo em um ambiente fechado, mas em lugar aberto, sendo uma psicologia em grupo para todos e com todos”, destacou Iago Felipe de Lima, estudante e voluntário do Psicologia na Comunidade.



Durante o sábado, as pessoas foram ouvidas e avaliadas pelos estudantes e profissionais e quando necessário, os casos foram encaminhados para o devido tratamento. “Nós fazemos uma triagem para a pessoa ter um amparo qualificado. Caso seja algo mais grave, nós fazemos o encaminhamento dela para a clínica da nossa faculdade”, afirmou.

A clínica citada por Iago é aberta ao público para tratamento gratuito e atende tanto demandas voluntárias quanto casos encaminhados por escolas e órgãos públicos. Por isso, qualquer pessoa que quiser e precisar de atendimento especializado, pode procurar a Clínica-Escola de Psicologia da Faculdade Estácio de Macapá, que está localizada na Rua Leopoldo Machado, esquina com Avenida Vereador José Tupinambá. O atendimento é realizado de segunda a sexta-feira, das 08h às 12h e das 14h às 18h; e aos sábados, de 08h às 12h.

Quem deseja conhecer um pouco mais dessa iniciativa e fazer parte dela, pode procurar a faculdade ou o endereço eletrônico do projeto no Facebook: facebook.com/psiconacomunidade/.



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