Iniciativa amapaense que pode identificar estudantes com depressão e ansiedade precisa de apoio

Por: Joice Batista




Três amapaenses estão se destacando no mundo científico com um projeto que identifica estudantes com doenças e transtornos psicológicos dentro das escolas. A mais recente conquista foi um convite para participar da Mostra Brasileira de Ciência e Tecnologia (Mostratec), em outubro deste ano no Rio Grande do Sul, mas para chegar lá, os jovens contam com a solidariedade dos amapaenses.

O projeto “Sorriso de Papel”, criado por Paulo Rodrigo Furler, de 16 anos; Ruane Pantoja, de 17 anos; e Wictória Moura, de 18 anos, possibilita aos alunos o desabafo e o pedido de ajuda. Assim, os estudantes podem relatar seus problemas em um papel e depositá-lo em caixas espalhadas nas escolas. Depois, a gestão escolar recolhe os relatos e trabalha a melhor forma de acolhimento para cada caso.

“O objetivo é a gente falar de saúde mental para os jovens e mostrar que eles também têm que tratar essa parte deles. A gente procura trazer o ambiente clínico para dentro das escolas de uma forma didática, para que as pessoas não se sintam intimidadas, mas sim abertas para falar dos seus problemas”, afirmou Paulo.



A vaga para a Mostratec foi conquistada na semana passada, após o projeto ganhar o prêmio Destaque em Ciências da Saúde na 2ª Feira Mineira de Iniciação Científica (Femic), em Minas Gerais. Antes, em 2017, a iniciativa foi aprovada em 1º lugar na categoria “Projeto de Incentivo à Saúde” na Feira de Ciencias e Engenharia do Amapá (Feceap).

Entre os dias 22 e 26 de outubro, o projeto estará concorrendo a prêmios, títulos e vagas para outras feiras nacionais e internacionais, além de inspirar estudantes de todo o Brasil a fazer parte dessa rede do bem e incentivar mais pessoas a buscarem ajuda para seus problemas. Mas apesar da conquista, o grupo encontra dificuldades financeiras para arcar com os custos da viagem e por isso, montou uma campanha de arrecadação.

Os jovens precisam arcar com despesas que incluem passagens, estadia, transporte e alimentação para se manterem na cidade de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, entre 22 e 26 de outubro. Quem quiser ajudar os jovens de alguma forma, pode entrar em contato através do telefone (96) 99165-4007.



“Sorriso de Papel” 
A ideia para o projeto surgiu em abril do ano passado, após os três criadores perceberem que doenças como a depressão e transtornos como a ansiedade eram comuns na comunidade escolar; além disso, os índices de suicídio entre seus colegas estavam crescendo. “Em virtude de alguns problemas, eu acabei desenvolvendo depressão entre os 13 e os 14 anos de idade. Foi um período muito difícil e quando eu cresci, eu percebi que esse problema não estava ligado só a mim e foi daí que surgiu o projeto”, contou Paulo.

Com mais de um ano e cerca de 200 alunos alcançados, toda a comunidade escolar das duas escolas em que o projeto está instalado, aprendeu um pouco mais sobre a importância do cuidado com a saúde mental. “Fazer parte do projeto foi enriquecedor pra mim, pois aprendi muito sobre as pessoas, a importância da empatia, de uma boa conversa, que já ajuda muita gente. Esse projeto já me fez chorar, aprender muito com as pessoas, e sem sombra de dúvidas a cada vez que colocamos em prática, é uma nova forma de lidar com elas, de fazer a diferença na vida de alguém”, disse Wictória Moura.

Atualmente, a iniciativa está presente em duas escolas particulares de Macapá, mas a ideia é levá-lo também para a rede pública, mas para isso, precisa que a gestão de cada unidade mostre interesse. Para fazer parte do projeto, basta acessar o site sorrisodepapel.wixsite.com/sorrisodepapel e cadastrar a escola.

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