No Santa Rita, dona de casa transforma poluição em produtos de limpeza



Por: Joice Batista




É no quintal de uma casa no fim do bairro Santa Rita, na zona sul da capital, que Ibis Uchôa de Oliveira dos Santos, de 56 anos, transforma uma significativa quantidade de óleo e gordura coletada de pontos comerciais de Macapá, em sabão. O trabalho artesanal aprendido há 25 anos, hoje serve como um passatempo e um complemento da renda familiar.

O óleo e a gordura que provavelmente seriam despejados em local inapropriado como canais e áreas alagadas, ganham uma nova utilidade através das mãos da dona de casa.
“Eu vi que tinha muita gordura na cidade e eu fico com muita pena de olhar as áreas de ressaca cobertas de óleo. Então comecei mais por isso mesmo... por ver esse óleo jogado no esgoto, que endurece e entope tudo”, diz Ibis dos Santos, sabendo da importância ambiental de seu trabalho e hoje conta com a ajuda de comerciantes e donos de restaurantes, para conseguir o material-base da produção.



Ofício
Ibis aprendeu a fazer sabão a partir da gordura através de um curso por correspondência, mas na época, não deu muito certo. Depois de quinze anos sem a fabricação, ela voltou às atividades utilizando outras receitas que viu na internet. Ela então foi criando seu próprio modo de fabricação e até hoje faz novos experimentos.

Após a coleta, ela mistura o ingrediente principal a materiais como a soda cáustica, água sanitária e outros produtos, dependendo do tipo de sabão e preferência como cor e fragrância. Depois, a mistura é despejada em um recipiente onde fica secando por horas. Após todo esse processo, o sabão está pronto. É só cortar, embalar e começar a utilizar.

Em uma mesa no quintal de casa, Ibis exibe com orgulho os frutos de seu trabalho. São sabões de todos os tipos: em barra, pó, líquido e até em pasta. Além de usá-los nas atividades diárias em sua casa, ela distribui para amigos e vizinhos e vende para pequenos estabelecimentos do seu bairro.



Quem faz uso do produto, comprova a eficácia da fabricação caseira. “Esse sabão a gente usa para tudo, desde lavar roupa, lavar louça ou até mesmo o chão, porque ele é feito com soda cáustica e alveja bem as coisas. Se o sabão caseiro for bem feito, não tem diferença nenhuma desses que são vendidos nos supermercados”, disse Patricia Silva, empregada doméstica de 41 anos.

Apesar do trabalho de muitos anos, não há um padrão na quantidade de produção e venda, pois tudo é feito de acordo com a disponibilidade de Ibis. Além disso, ela não tem como recolher o óleo de muitos lugares, mas o desejo sempre foi produzir em grande escala. “Quem dera eu pudesse, tivesse dinheiro à vontade para fazer um grande estoque e aproveitar toda essa gordura que é jogada por aí. Até se não tivesse quem comprar, eu dava mesmo”, afirmou a dona de casa. Segundo ela, o custo da fabricação não é alto. Com R$ 30 e aproximadamente um balde de gordura, pode-se fazer até 100 barras de sabão.



Além da sustentabilidade e da renda extra, a produção ocupa o tempo ocioso de Ibis, que se tornou maior após o crescimento dos filhos. “Eu não consigo parar de fazer sabão, sempre vejo uma receita nova e continuo. Eu sempre tenho que fazer para ocupar meu tempo”, finaliza Ibis.

Passando o conhecimento à diante
A dona de casa também se disponibiliza a ensinar a atividade e aceita doação de óleo e gordura. Por isso, os interessados podem entrar em contato através do telefone (96) 98119-2086.

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