Skatistas se unem para reconstruir pista destruída por obra pública paralisada


Por: Joice Batista




Cansados de esperar pela finalização de uma obra pública paralisada, um grupo de skatistas resolveu unir forças para restaurar seu espaço de esporte com as próprias mãos.

Desde outubro de 2017, a adrenalina deu lugar ao clima de tristeza e revolta na pista de skate localizada na praça Francisco Augusto dos Anjos, orla do bairro Santa Inês, em Macapá. A obra que deveria durar apenas 60 dias até hoje não foi finalizada. Segundo os skatistas, a única coisa feita foi a quebra do piso.

Os próprios atletas fizeram uma “vaquinha” e compraram alguns materiais de construção e se reuniram para o conserto provisório. “A gente fez isso só para começar a andar de skate mesmo. A gente estava frequentando a praça Floriano Peixoto, mas lá não é um lugar propício como aqui, com rampas e todo suporte. Lá, ainda tem a questão da represália, que jogam fora nossos obstáculos”, contou Paulo Sérgio Almeida, agente de pesquisa e mapeamento de 33 anos e praticante do esporte há pelo menos 15 anos.



Mesmo após os reparos, as rodas dos skates ainda se movem com dificuldade pelo chão recém cimentado, que ainda precisa ser finalizado, pois está longe do adequado. Por isso, os skatistas de Macapá pedem a solidariedade dos macapaenses para que a pista possa voltar abrigar os amantes do esporte como antes.

“A gente ainda está juntando dinheiro para comprar material, ainda falta bastante”, disse Paulo.

Quem se interessar em ajudar a iniciativa, seja com dinheiro ou material de construção, pode procurar qualquer um dos praticantes na pista de skate da Orla do bairro Santa Inês ou entrar em contato com Paulo Almeida, pelo telefone (96) 99187-6165.

Procurada pela reportagem, a Secretaria De Estado de Infraestrutura do Amapá alega que as obras na praça foram interrompidas por conta de problemas na saúde financeira da empresa que foi licitada para fazer a obra, e que agora o governo do Estado busca a rescisão do contrato para poder colocar outra construtora para concluir o serviço.



Mais do que um esporte
Assim como Paulo, Fábio Pinheiro Janaú, consultor de vendas de 29 anos, pratica o esporte há mais de 10 anos, tendo o skateboard como um estilo de vida e a pista do Santa Inês como uma segunda casa. “A gente precisa de um lugar para ser ponto de encontro, onde a galera possa andar de skate sem sofrer nenhum tipo de preconceito e esse é o lugar perfeito”, falou.

A pista inaugurada em 2004 recebe amantes do skate de vários bairros de Macapá, já manteve pessoas longe da criminalidade e já acolheu quem se sentia socialmente excluído, segundo relatos dos desportistas. Aqui era um espaço de inclusão, todo mundo se sente parte da sociedade aqui, mas estamos parados”, disse Fábio.

Além da vida dos próprios praticantes, o skate tem se mostrado como uma ferramenta para a busca do bem estar social, com atividades que vão além do esporte. “A prática incentiva o público a acompanhar o nosso esporte e a gente quer mostrar que o skateboard agrega valor. A gente já fez campeonatos incentivando a coleta de brinquedos e alimentos para a comunidade do entorno da pista. A gente quer transformar esse esporte em uma prática social também”, finalizou Paulo Almeida.

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