No Universidade, moradores podem ler enquanto esperam o ônibus


Por: Joice Batista




Os livros disponibilizados há quase um ano pelo projeto “Ler é Paidégua” em um ponto de ônibus do bairro Universidade tem aberto os olhos da comunidade para a leitura e a importância da educação na vida das pessoas.

Já passava das 10h de uma quinta-feira quando Ivanildo dos Santos Santana, de 56 anos, parou sua bicicleta em frente à prateleira para escolher os livros que iria levar dessa vez. Quase todos os dias ele trafega pela Rua Doutor Braulino, onde o projeto está fixado, sempre atento aos novos conteúdos.

Ivanildo é professor e utiliza os livros do Ler é Paidégua para preparar suas aulas de reforço escolar que ele ministra gratuitamente para crianças da sua vizinhança. “Eu sempre pego algum livro porque eu dou aula em um projeto e muito material eu tenho colhido aqui. Tem ajudado bastante, tanto para renovar meus conhecimentos quanto para ajudar as crianças”, contou.



Ivanildo e seus alunos são alguns dos beneficiados com o projeto criado pelo professor Rafael Pontes Lima, que organizou o espaço com materiais recicláveis e sobras de uma obra que estava realizando para homenagear os pais. “Quando eu comecei a fazer uma obra, sobrou muita madeira e eu falei ‘vamos fazer um banco! ’. Meu cunhado trabalha com madeira e eu pensei nos livros que tinha e em casa e disse também ‘vamos fazer uma prateleira!’”, contou o autor do projeto.

Os bancos e a prateleira foram colocados no ponto de ônibus em agosto do ano passado, para dar mais conforto para aqueles que esperam seu coletivo, ao mesmo tempo que ajudaria a incentivar a leitura. Mas com o tempo o projeto foi se expandindo, chegando a toda a comunidade ao redor, que pode levar livros e revistas para casa, emprestar ou trocar por outro.



“O fato de a comunidade ter adotado o projeto, isso é muito legal. Para mim, os benefícios foram muitos aprendizados, de entender que existe uma camada grande da população que não tem acesso à leitura, que o livro ainda é um bem caro. Então, a gente precisa estimular a leitura”, afirmou Rafael.
Nonato Bittencourt Guimarães, de 69 anos, é morador do bairro universidade há 13 anos. Ele não empresta livros do projeto, mas seus filhos e netos tem usufruído da iniciativa. “Eu acho ótimo essa questão de incentivar a leitura. Isso é muito importante!”.

Já Larissa Almeida, marqueteira e empresária de 24 anos, não mora no bairro, mas conheceu e e encantou pelo projeto em uma de suas passagens pelo local. “O Projeto Ler é Paidégua é um grande passo para a população amapaense, pois é de extrema importância que a educação seja levada a todos. Esse é o grande exemplo de que com um simples gesto, conseguimos fazer a diferença e mudar a vida das pessoas”.



Com quase um ano de projeto, o professor recebe muitos depoimentos e se mostra feliz com os resultados. Para ele, a leitura e a educação são de suma importância na vida das pessoas. “A educação é tudo. O livro em si, a leitura ela é uma janela de oportunidades. Quem lê constrói um mundo, se emancipa, ganha liberdade, ganha o direito de questionar, de trocar experiência e ver o mundo com outros olhos”, frisou Rafael.

A comunidade também tem aprovado a iniciativa. “Tem sido muito importante para a gente. Muita gente não tem dinheiro para comprar o livro ou não tem internet em casa para pesquisar as coisas”, disse Ivanildo.

Pontos do Projeto
O sucesso da iniciativa foi tão grande que hoje o Ler é Paidégua conta com cerca de 10 pontos, entre escolas e outras repartições públicas, mas não para por aí. A ideia é que no próximo ano, todos os outros 15 municípios do Amapá tenham pelo menos um ponto do projeto.

Os interessados em contribuir com o projeto podem depositar os livros diretamente no ponto principal do Ler é Paidégua, localizado no ponto de ônibus da Rua Doutor Braulino, 1924 (ao lado da sede dos magistrados, atrás da Unifap), bairro Universidade, ou entrar em contato através da internet para se informar sobre os demais pontos:

Instagram: @lerepaidegua


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