Deficiente visual usa alta habilidade tátil para se tornar massoterapeuta em Macapá




A deficiência visual até impôs limitações, mas não impediu que Kérsia Celimary Silvestre Ferreira se tornasse referência em massoterapia no Amapá. Aos 33 anos, Kérsia se consolida como terapeuta usando sua maior habilidade e sensibilidade nas mãos para ajudar pessoas no tratamento de diversas doenças.

A massoterapia entrou na vida de Kérsia há cerca de seis anos, através de um curso no Centro de Referência das Práticas Integrativas em Saúde do Amapá (Cerpis). A identificação profissional com essa prática terapêutica foi quase que imediata, pois diferentemente de outras atividades, ela não dependia da visão e foi aí que Kérsia decidiu que queria seguir essa carreira.

Após passar em um concurso público da área da saúde e ter o período de estágio probatório concluído, ela solicitou recentemente sua atuação no Cerpis, e hoje retribui o aprendizado melhorando a qualidade de vida das pessoas.

“A massoterapia é uma técnica que me proporciona usar a deficiência a meu favor, faz com que esses sentidos que eu tenho mais desenvolvidos, do tato e da audição, trabalhem a favor dos pacientes também. Ter uma sensibilidade a mais, possibilita ajudar as pessoas através do toque e eu me sinto muito bem percebendo os resultados”, contou a profissional.



Kérsia é uma das poucas massoterapeutas com esse tipo de deficiência no estado, mas ainda está em processo de adaptação. Ela afirma que ainda precisa explicar a alguns pacientes que eles precisam falar o local das dores e não somente apontar, pois muitos deles nunca foram atendidos por uma profissional como ela.

Ainda assim, ela diz se sentir bem exercendo essa profissão. “Eu me sinto útil. A gente estuda tanto e temos mesmo que nos sentir assim, sendo deficiente ou não. A gente tem que ter a nossa parcela de contribuição para a sociedade”, disse.

Vida

Kérsia Ferreira nasceu prematura em Natal, no Rio Grande do Norte, perdeu a visão nos primeiros dias de vida pelo excesso de oxigênio na incubadora, o que acabou afetando sua retina. Aos sete anos, ela e a família vieram para a capital amapaense em busca de uma escola especializada na educação de crianças cegas.

Além do curso de massoterapia, ela é formada em sociologia pela Universidade Federal do Amapá (Unifap), apresentadora de um programa de rádio e presidente do Instituto de Inclusão do Amapá. Ela também não descarta a prestação de um concurso público para a área de educação especial e espera poder conciliar os dois.

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