Sopa e karatê: o jeito Japa de fazer solidariedade no Buritizal

Por: Jamile Moreira




É no piso lajotado e sem quimonos que um grupo se reúne todas as terças e quintas-feiras no Buritizal para compartilhar a arte do karatê entre crianças e adolescentes carentes. Em seu primeiro mês, as condições ainda não são as ideais, mas a motivação dos voluntários da ONG Sopa do Japa é das melhores: contribuir na formação desses alunos e retirá-los da situação de vulnerabilidade. 

Herinck Santos e o sansei Marcelo Coimbra são os responsáveis pela atividade, que está captando novos participantes e também doações de material esportivo para os alunos. As aulas são custeadas pelos próprios idealizadores, que ainda estão buscando meios para adequar o espaço a prática esportiva.

“Infelizmente não temos uma política de incentivo para as pessoas que trabalham com projetos sociais. As dificuldades são muitas, mas mesmo com esses percalços ocupar o tempo desses jovens para que não acabem parando nas ruas é a minha maior recompensa”, explica o sansei Marcelo, que há 19 anos desenvolve diversos projetos com o karatê.

A certeza da equipe é que futuramente os frutos desse trabalho serão percebidos em toda a comunidade. “A prática de uma luta e a filosofia de aprendizado auxilia na formação do cidadão para a sociedade”, explicou Herinck, que pratica karatê há 10 anos. 





Sopa do Japa

As aulas fazem parte de um projeto maior chamado a Sopa do Japa, idealizado pelo estudante de Engenharia de Produção Allyson Leite com o objetivo de distribuir sopa para moradores de rua. Membro da ordem DeMoley, Japa, como era conhecido, começou a captar pessoas interessadas em contribuir com a produção e distribuição do alimento. 

Em janeiro de 2014, Japa faleceu subitamente e o que poderia ser o fim do projeto ganhou força, braços e pernas de amigos e familiares interessados em dar continuidade ao trabalho que o jovem desenvolvia.

“O Allyson começou o projeto na maçonaria. Não era do nosso conhecimento a ação que ele fazia, quando soubemos minha mãe tomou a iniciativa de dar continuidade e logo nossa família se uniu nesse propósito. Em seguida vieram os amigos e hoje temos pelo menos 30 pessoas envolvidas direta ou indiretamente na sopa”, contou Marcelo Rocha, um dos irmãos do Japa.

A distribuição acontece dia 6 de todo mês, no aniversário de morte de Allyson, a data que lembra um dia de dor foi utilizada para levar o bem a quem mais necessita. “Se eu falar que é fácil vou estar mentindo. Por mais que tenhamos o apoio e colaboração de muita gente o dia de preparar a sopa é difícil, vem a saudade, um pouco de tristeza por não termos ele fisicamente aqui. Mas ao mesmo tempo é gratificante poder dar continuidade a uma coisa que ele acreditava e principalmente poder levar conforto e alegria, que era uma das maiores virtudes dele, a quem mais precisa”, relatou Thatiana, uma das cunhadas.



Guiados pela crença de que se todo mundo fizer um pouco pode contribuir para um mundo melhor, eles dão continuidade aos projetos.

O espaço está aberto para todos que queiram participar da sopa e também das aulas de karatê que acontecem todos as terças e quintas-feiras, de 19h às 20h30, na Avenida Desidério Antônio Coelho, 1590, Buritizal.

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